Estrabismo
Corto
k














20/10/2006 09:45

Então...

Primeiro post. Bem egoísta. Começando com um assunto que eu amo: HQ´s. Ao egotrip, pois...

As histórias em quadrinhos no Brasil andam tendo um momento interessante... Até aí, nenhuma novidade, já que essa já foi repetida em um bando de blogs e afins, certo? Ah, nem tanto... Com tanta coisa bacana chegando por aqui, com muitas discussões legais surgindop sobre HQ´s, com o aumneto da atenção do mundo academicus.sp em relação aos gibis... Ainda assim, quadrinho ainda é assunto considerado sem muita relevância, taxado como mero entretenimento ou pseudovalorizado quando chamado de "cult". Mas ainda assim, estamos em tempos interesantes...

Há algum tempo,não se tinha muitas opções nas bancas em termos de gibis. As possibilidades de escolha eram resumidas aos gibis infantis e aos "superquadrinhos". Estes, aliás, contribuíram para a disseminação de uma espécie de praga sobre os quadrinhos. Durante muito tempo (e ainda hoje, infelizmente) as estéticas gráficas e argumentativas dos comics infestaram não só a própria produção de HQ´s dos EUA, mas também engessaram as várias possibilidades de exploração da arte estética e de roteiros. Os traços dos desenhistas eram todos cópias um do outro, os roteiros eram praticamente padronizados e disseminou-se uma pasteurização estética dos gibis - quase toda tentativa de fazer quadrinhos se tornava uma cópia dos gibis de super-heróise até inicinates na arte do desenho resumiam seu estudo de traços aos dos comics. Não havia transcendência no traço. Nem a grafite, nem a a nanquim. Parecia não haver esperança, enfim.


...Mas eis que o sol nascente surge nas bancas. Em 2002, as editoras Conrad e JBC lançam seus títulos de mangás na bancas. E os comics (nós que nos amávamos tanto!) perderam seu reinado quase absoluto. Provavelmente pra sempre. O mangá, apoiado pelo sucesso dos animês, não só chegaram... Tomaram as bancas.

Não era a primeira vez do mangá aqui no Brasil. Títulos como Akira, Mai - a garota sensitiva, A espada de Kamui, já foram ilustres e breves presenças nas bancas no início da década de 90. Não emplacaram, foram cancelados e ficamos um bom tempo sem ver os quadrinhos nipônicos por aqui. Na verdade, a editora Animanga já estava com o famoso mangá Ranma 1/2 nas bancas antes da Conrad e da JBC. Mas Ranma estava sofrendo com uma periodicidade irregular, às vezes sumia das bancas e não estava com uma proposta editorial sólida. Mas tem o merecido mérito de ter sido a pioneira.

Mas e por que a chegada dos mangás foi assim tão importante? Porque as coisas mudaram de figura. Em vários sentidos. Pra começar, o mangá tinha uma proposta diferente em estética, enredo e espírito. As histórias, mesmo as grandes sagas, não perdem o cotidiano de vista, focam o lado humano dos personagens e não há privilegiação do maquineísmo. O traço é próprio da estética criada por Osamu Tezuka, com seus olhos grandes que exteriorizam as emoções, a representação das nuances, o foco cinematográfico que intensifica as sensações, a diagramação que segue o fluxo da história... Enfim, outro tipo de HQ, diferente das que estavam saturando nas bancas. Os mangás resgataram a diversidades das histórias em quadrinhos. Pois era uma espécie de nova proposta em banca. Havia então, outros tipos de ser e estar nas HQ´s. Outras possilidades, outros leitores.



A invasão do mangá, que começou antes nos EUA, balançou a poderosa indústria norte-americana de quadrinhos. As supereditoras perceberam finalmente que seus leitores queriam histórias diferentes, pois tudo havia mudado. E afinal, os anos haviam passado e Marvel e DC (as bambambans do mercado editorial) continuavam com o mesma visão de história em quadrinhos.

Voltemos ao Brasil, então. Com a percepção de que havia iminentes leitores dispostos a receber e conhecer novas e diferentes HQ´s, o mercado editorial brasileiro se empolgou. Timidamente, no início, com alguns títulos aqui e ali. E, devargazinho, coisas muito interessantes estavam chegando por aqui, várias editoras se interessando pelo quadrinho em forma de ábum - com acabamento mais refinado e público fiel. Coisas belas como Corto Maltese, Sandman, Maus, Gen, Tintin e tantos outros caminhantes noturnos, lindas obras de arte seqüencial e comunicação gráfica.Os álbuns estão tomando cada vez mais conta das... Livrarias! Sim, os quadrinhos de ótima qualidade são diecionados para livraria, por terem tiragem limitada e preço acima de um gibi de banca (de fato, um fator é conseqüência do outro). Aliás, preço BEM acima de um gibi de banca, o que impede de o chamado "leitor médio" vir a conhecer essas publicações fantásticas. No fim das contas, os álbuns são direcionados para colecionadores e muuuito raramente dão o ar de sua graça nas bancas. Esse aí é outro assunto que dá pano pra manga. Mas fica pra outro post que esse já tá bem grandinho.


enviada por Ka






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