O sol enganador
Os dias andam tortos. As coisas não estão conseguindo se encaixar perdidas em desespero, pedaços de qualquer coisa sem rumo. Não sabem onde ficar, para onde ir, o que fazer, como existir.
Alguma coisa se esqueceu de acontecer.
Os dias andam estranhamente longos. Uma semana parece um mês. Um mês parece um oitavo da eternidade.
Os dias se desdobram, tentando me enganar se tornam dois a cada quatro horas. O relógio pára quando não estou olhando e quando vou verificar as horas, me mostra um tempo falseado.
Olho o calendário, vejo semanas que não existem e dias duplicados. Novembro se expande em desespero.
Não sei quem ensinou o tempo a ser cínico assim.
O tempo, cínico sem alma, mudou a freqüência da realidade (seja lá o que for isso). As coisas não são mais o que já foram (talvez nunca tenham sido). Tudo está diferente daqui pra frente. É assim que as coisas estão agora.
É o que sobrou pra se existir.