Mudando de assunto...
Sinceramente, não sei o que esse blog tá virando. Comecei falando de quadrinhos, pulei pra um texto torto mal-resolvido e agora venho com um papo de cinema (ih, já tô até vendo um monte de olho revirando). Bem, bem... Enquanto eu não acho um rumo pra esse blig, as coisas vão caindo por aqui tal como surgem na minha mente perdida.
Mas esse tema não veio tão de graça não. Surgiu porque eu tava visitando vários sites de cinema e acabei me deparando com muitos textos que falavam de filmes que eram importantes pra alguém por vários motivos. Aí, deu saudade. Saudade de 24 quadros por segundo.
Então... Fiquei lembrando de vários filmes que significam muito pra mim, matutando como eles se tornam importantes pra você devido às mais diversas razões. Ou devido às mais diversas sensações que provocam. Ou quando um filme parece dialogar com você, mostrando que sabe como você se sente, quando ninguém mais é capaz de fazê-lo. Ou quando simplesmente te divertem, mas deixam pistas pra algo a ser descoberto. Ou quando não são nada disso, mas enfim, você gostou.
Lembrei de Uma mulher é uma mulher(Une Femme est Une Femme, 1961) do diretor francês Jean-Luc Godard. Fazia muito, muito tempo que eu ouvia falar de Godard, sua importância como um dos que ajudaram na formação de um novo espírito cinematográfico e tal, Nouvelle Vague pra cá, Nouvelle Vague pra lá... E eu só com uma vague idéia do que diabos era isso afinal. Porque não achava Godard. Godard não me achava. E não tinha como saber o que de Vague tinha essa Nouvelle sem assistir a um filme que a representasse. Ah... Mas então consegui ter a chance de assistir a Uma mulher é uma mulher (considerado um de seus filmes mais famosos). E foi... Explosivo. Bum. O filme começava com uma música de Charles Aznavour, mas... Vejam bem, a música não surgia simplesmente lá atrás como era de se esperar de toda comportada trilha sonora... Ela explodia no meio da cena, invadindo o filme, dando um safanão nos sentidos. A música transcendeu seu papel de fundo musical (termo cafona, eu sei) que fica por baixo da imagem em movimento, para então se tornar um quase-personagem do filme. Era a vingança da trilha sonora.
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Poucas vezes tomei um susto vendo um filme como aconteceu com esse. Fiquei meio sem jeito quando percebi o que tava acontecendo... A trilha sonora estava raptando o filme! Vão deixar? Vamos! Fiquei, literalmente, de boca aberta. E achei o máximo. Pronto, Godard já tinha minha simpatia mal tinha começado o filme. Canalha.
A música de Aznavour, presente em todo o filme, fornece o espírito das cenas, quase que guiando as sensações frente a elas. A trilha aumentava o caráter cômico e trazia, pé-ante-pé, uma tristeza tímida, presente na única (pelo que me lembro) cena dramática do filme. Aí você diz que isso é o que toda trilha sonora faz. Mas aqui, como eu disse, ela explode, ela seqüestra o filme sem se fazer de rogada, ela te dá um susto e morre de rir disso. E toda essa sensação confusa que uma trilha sonora rebelde me fez, colocou Uma mulher é uma mulher na minha lembrança afetiva. Talvez quando eu assistir a esse filme de novo ele não seja tão impactante. Talvez não seja metade do que eu escrevi. Mas aí o filme da minha lembrança vai ser melhor. Melhor que Godard. Hahahah!